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Apresentação Geral do Departamento de Educação e Formação

O trabalho de educação na área de atuação da Secoya teve início antes mesmo da criação e reconhecimento da instituição, através da atuação de voluntários que mais tarde ajudaram a fundar a Secoya. No início, apenas um pequeno grupo com candidatos a Agentes Indígenas de Saúde - AIS passou pelo processo de alfabetização na língua Yanomami, com o objetivo de colaborar com as atividades de saúde desenvolvidas nos xapono. A partir de 1994, com a permanência de uma voluntária no Ixima, as atividades de educação passaram a atender um público maior e mais localizado, embora periodicamente ainda houvesse a inserção de AIS e candidatos a professores Yanomami de outros grupos. Essa dinâmica perdurou até 2002, quando a instituição resolveu reestruturar o programa e ampliar a equipe de trabalho.
A partir dessa proposta, a Secoya contratou novos professores não indígenas pra atuarem em Pukima, Ixima, Bicho Açu e Ajuricaba, além de profissionais para a realização de supervisão em campo e suporte aos trabalhos administrativos em apoio à coordenação.
A preocupação da Secoya é em desenvolver um trabalho pondo em prática os princípios estabelecidos em lei de que os Yanomami têm direito a uma educação escolar específica e diferenciada, sem ser uma transposição dos modelos e padrões escolares constituídos no meio urbano.
As escolas Yanomami obedecem a demandas próprias deste Povo, em termos de finalidades, conteúdos, formas, ritmos, tempos e estéticas definidos cultural, social e politicamente a partir dos interesses, necessidades e peculiaridades dos Yanomami.
Desse modo, nas escolas Yanomami atendidas pela Secoya, as linhas gerais da especificidade da educação escolar podem ser assim apontadas:

  • As turmas: a organização de uma turma obedece ao critério cognitivo e de proficiência em determinado conteúdo (ao invés do critério etário usado nas escolas seriadas). Por isso, numa mesma turma estudam crianças, jovens e adultos, mães e filhos, marido e esposa; desde que estejam num mesmo patamar de conhecimento sobre o conteúdo a ser ensinado/aprendido naquela turma.
  • Ritmo e tempos: a rotina da escola Yanomami está definida para um tempo de 2 horas diárias, funcionando por 4 dias seguidos e parando no quinto dia. Está organização do trabalho escolar atende às necessidades cotidianas dos indivíduos Yanomami no ritmo da vida nos xapono. Além disso, quando as famílias mudam-se para o interior da floresta (o xapono do centro), para um interstício de caça e coleta junto a outro núcleo de recursos de sustento, a escola também vai junto, para não interromper suas atividades pedagógicas de ensino aos alunos.
  • Conteúdos e métodos: o objeto de ensino-aprendizagem é precipuamente a língua Yanomami e a língua portuguesa. Considera-se que este foco principal dos estudos na escola é fundamental e necessário, porque é base do estudo de qualquer outra questão no universo da cultura escolar. Por outro lado, o estudo da língua Yanomami é um importante instrumento de valorização da cultura e o domínio da língua portuguesa, um precioso instrumento de defesa dos indígenas em suas múltiplas relações com não-índios. Em menor percentual estão estudos elementares de matemática, geografia e história, tendo-se o cuidado de utilizar a realidade Yanomami como referência prática ao estudo-aprendizagem dos conceitos.
  • Gestão do processo escolar: a escola opera concretamente a concepção de que “a escola é a comunidade e a comunidade é a escola”, tal é o grau de participação dos adultos e líderes do xapono nas decisões quanto a quem será aluno, quem será o professor, controle social das ações do professor, controle da freqüência dos alunos, objeto de ensino-aprendizagem, entre outros. Nenhuma decisão é tomada à revelia do xapono. Esta distribuição de poder determina ser a escola assumida pelo coletivo.

Atualmente são 08 escolas, 20 professores Yanomami e 413 alunos trabalhando na construção e reconstrução do conhecimento a partir da realidade Yanomami e propiciando espaços para responder aos desafios atuais enfrentados em seu território e na relação com a sociedade envolvente.

 

 

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