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A Secoya realiza cursos sobre desnutrição infantil PDF Imprimir E-mail
Ter, 23 de Dezembro de 2014 12:45

Do dia 22 a 28 de novembro de 2014, a Secoya realizou o primeiro curso de mulheres no âmbito do programa de educação em saúde. Contou com a participação de 26 mulheres oriundas do rio Marauiá, as temáticas da desnutrição infantil e a saúde da mulher foram discutidas com enfoque particular na valorização da alimentação tradicional Yanomami.

Reunidas no xapono Pukima Beira, as participantes debateram as causas da desnutrição, identificando problemas tais como: diarreias, fome, epidemias e problemas de higiene como fatores que prejudicam a saúde de suas crianças. Ao longo do encontro, foram discutidas as medidas necessárias a serem implementadas nos xapono, considerando as dificuldades decorrentes das representações culturalmente distintas dos conceitos saúde-doença.

Durante a semana, discussões sobre os princípios de uma alimentação saudável permitiram a elaboração de um levantamento de alimentos tradicionais na base do qual se abordaram temáticas como a soberania alimentar e as recomendações alimentares a cada faixa etária.

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Mensagem de Natal PDF Imprimir E-mail
Seg, 22 de Dezembro de 2014 12:29

Queremos expressar os nossos sinceros agradecimentos a todos os membros dessa maravilhosa equipe de frente da Secoya. Esse ano foi difícil e semeado de muitos entraves que somente conseguimos superar com a dedicação, o trabalho e a força de vontade de cada um. Passos importantes foram conquistados em 2014 e podem ter certeza que o mérito é coletivo. Saibam que a força da Secoya está justamente nesse potencial, nessa energia e dedicação de cada um de vocês à causa do povo Yanomami.

Todos nós somos sabedores que há muito ainda para ser feito ainda: em nossa organização interna, buscando meios para melhorar as condições de trabalho, na relação com o povo Yanomami e perante as políticas públicas. Mas nos encontramos numa fase importante de consolidação de uma longa trajetória. Nesse sentido, temos certeza que 2015 trará novos frutos e a certeza que este trabalho vale a pena e que unidos, poderemos fazer muitas coisas. Podem ter certeza que estaremos empenhados nisto.

Desejamos a todos felizes Festas Natalinas e um ano 2015 com muitas realizações e muita saúde. Que tenham todos ótimo descanso junto ao seus familiares, bem merecido após meses de intenso trabalho.

Um grande abraço no coração de cada um com muito carinho.

A Diretoria e a Coordenação Geral

 
Garimpeiros são levados à Federal PDF Imprimir E-mail
Qui, 11 de Dezembro de 2014 13:39

Dos 220 detidos na terra Yanomami, 80 chegaram à Capital na madrugada desta sexta-feira e, após depoimentos, foram liberados

Na madrugada desta sexta-feira, dia 05, cerca de 80 garimpeiros chegaram à Capital e foram levados à superintendência da Polícia Federal (PF), no bairro 13 de Setembro, zona Sul. Eles foram detidos na operação Krokorema II, realizada pela Funai (Fundação Nacional do Índio) e Polícia Militar, na região do Auaris, terra indígena Yanomami, no Amajari, município a 150 quilômetros da Capital pela BR-174, Noroeste do estado.

Na PF, os garimpeiros prestaram depoimento e depois foram liberados. Alguns responderão por crimes ambientais e garimpagem ilegal. Familiares abraçavam os garimpeiros na frente da superintendência. Outros, apreensivos, buscavam informações a respeitos dos parentes que não haviam chegado.

O comandante da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipa), major Miguel Arcanjo, disse, na última quinta-feira, dia 04, que na base avançada da Funai, no acampamento Wai-kai, terra Yanomami, já havia até a tarde daquele dia, mais de 220 garimpeiros. Eles estavam sendo transportados em quatro voadeiras. A previsão era que todos estariam na Capital até este final de semana.

Na sexta-feira pela manhã, a Folha foi à Polícia Federal, mas a Assessoria de Comunicação informou que o órgão não daria detalhes sobre o caso. Disse apenas que foram realizadas as atividades de polícia judiciária.

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As 10 mentiras mais contadas sobre os indígenas PDF Imprimir E-mail
Ter, 09 de Dezembro de 2014 13:17

As afirmações listadas abaixo foram extraídas da vida real. Algumas nas ruas do interior do Brasil, outras nas cidades grandes, outras em discursos de políticos. Percepções diversas, vindas de pessoas com histórias diferentes, mas com um direcionamento em comum: a disseminação do discurso anti-indígena com argumentos falsos

Mentira nº 1: Quase não existe mais índio, daqui alguns anos não existirá mais nenhum

Se as pessoas não sabem muito sobre os indígenas na atualidade, sabem menos ainda sobre o passado destes povos. Mesmo os pesquisadores não encontram um consenso, e os números variam muito conforme os critérios utilizados.

A antropóloga e demógrafa Marta Maria Azevedo estima que, na época da chegada dos europeus, a população indígena no Brasil era de 3 milhões de pessoas. Eram mais de 1.000 povos diferentes, que durante séculos foram exterminados pelos conquistadores, seja por suas armas de fogo, seja pelas doenças que eles trouxeram. De acordo com antropóloga, em 1957 havia no Brasil apenas 70 mil indígenas. O crescimento desta população é observado somente a partir da década de 1980.

Em 1991, quando o IBGE passou a coletar dados sobre a população indígena brasileira, eles somavam 294 mil pessoas. Em 2000, o Censo revelou um crescimento da população indígena muito acima da expectativa, passando para 734 mil pessoas. Em 2010, a população indígena continuou crescendo, e o Censo mostrou que mais de 817 mil brasileiros se autodeclararam indígenas, representando 0,47% da população brasileira. Eles estão distribuídos em 305 etnias e falam 274 línguas.

Esse aumento populacional jamais seria possível se fossem considerados apenas fatores demográficos, como a natalidade e a mortalidade. Esses dados revelam o crescimento do número de pessoas que passaram a se reconhecer como indígenas e o “ressurgimento” de grupos indígenas. Isto se dá porque, antes, ser índio no Brasil significava ser atrasado, inferior, escravizado, catequizado, ser alvo de discriminação, de chacinas e até mesmo não ser considerado humano. Diversos povos foram obrigados a abrir mão de suas línguas e de sua cultura. Agora os povos indígenas voltam a afirmar sua identidade, talvez porque as circunstâncias estejam mais amigáveis. Ou talvez porque este grito não suporte mais ser calado.

Tratá-los simplesmente como “índios” esconde a imensa diversidade cultural e circunstâncias de vida tão distintas. Mas algo muito mais forte que as diferenças étnicas propicia a união destes povos: o fato de se sentirem diferentes de nós.

Temos no Brasil todos os tipos de extremos: índios que possuem seu território assegurado e índios que morrem lutando por seu território; índios brancos e índios negros; índios cristãos e índios pajés; índios isolados e índios urbanos.

Os povos indígenas isolados são aqueles que não estabeleceram contato permanente com a população nacional e com o Estado. As informações sobre eles são transmitidas por outros índios, por moradores da região e por pesquisadores. A Funai (Fundação Nacional do Índio) tem cerca de 107 registros da presença de índios isolados em toda a Amazônia Legal, dos quais 26 já foram confirmados e estão sendo monitorados, seja por imagens de satélite, sobrevoos ou expedições na região. Não se sabe, no entanto, a quantidade destes povos e indivíduos que vivem voluntariamente isolados.

Muitos já tiveram alguma experiência de contato não amistosa com garimpeiros, madeireiros, grileiros e traficantes próximos à fronteira. Também é provável que tenham tido ou mantenham contato com populações ribeirinhas, seringueiros e, principalmente, com algum outro povo indígena.

Os resultados do contato conosco são trágicos, a começar pelas doenças que transmitimos, para as quais eles não têm imunidade: sarampo, rubéola, caxumba, difteria, tétano, hepatite, gripe e outras. Conhecendo esta realidade, estes povos que vivem em situação de isolamento escolheram fugir. Isso não significa, no entanto, que eles não tenham notícias de nossa sociedade. Eles observam rastros, utilizam ferramentas e se relacionam com outros indígenas que contam as novidades do mundo do branco.

Em outros tempos, como muitos devem se lembrar, o órgão governamental indigenista, na época chamado SPI (Serviço de Proteção aos Índios), deixava presentes como espelhos, panelas e ferramentas para atrair os indígenas. Hoje a Funai busca garantir que eles tenham seu território assegurado para transitarem livremente. Mas as ameaças são muitas e cada vez mais seus territórios são menores.

Os indígenas que vivem em áreas urbanas somam 324 mil, ou seja, 36% do total da população indígena, um número que vem crescendo ano após ano (IBGE, 2010). Há dois motivos recorrentes para que esses índios vivam em áreas urbanas. Um deles é a migração dos territórios tradicionais em busca de melhores condições de vida na cidade. O outro é que os limites das cidades cada vez mais alcançam as fronteiras de seus territórios.

As pessoas continuam acreditando que a população indígena está sendo reduzida, mesmo que os números digam o contrário e que eles estejam mais presentes nos centros urbanos. A desinformação tem uma consequência: fingimos que os índios estão deixando de existir e gradualmente não pensamos mais na situação deles. Assim fica mais fácil justificar nenhum respeito a seus direitos e à sua própria vida.

Mentira nº 2: Os índios estão perdendo sua cultura

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SECOYA e o Movimento Indígena de LUTO PDF Imprimir E-mail
Qua, 19 de Novembro de 2014 13:18

Com pesar, comunicamos o falecimento da nossa amiga e membro da Secoya Ester Maia que sofreu um acidente de moto na BR 307 que liga as cidades de Benjamim Constant e Atalaya do Norte, no último dia 15 de novembro.  Filha de Atalaia, a mesma era apreciada por todos pela sua alegria contagiante e facilidade de comunicação. Formada em antropologia, e com forte espírito indigenista, Ester sempre acreditou no protagonismo indígena, procurando contribuir no fortalecimento do movimento indígena. Dessa forma atuou no Vale do Javari, prestou ampla colaboração na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira-Coiab, e durante vários anos atuou na Secoya, tornando-se membro da instituição, tal o seu grau de compromisso com os Yanomami.

Esther foi se identificando cada vez mais como esse papel de ativista dos direitos das mulheres e das minorias. Além de seu vínculo com a Secoya, era membro do Observatório da Violência de Gênero no Amazonas, vinculado a UFAM, que tem por intuito inibir a violência. Recentemente, estava trabalhando na Fundação Nacional do Índio (Funai), unidade de Atalaia do Norte, junto a outros profissionais, na defesa dos direitos dos povos indígenas do Vale do Javari. Colaborava no Blog Jambo Verde, de Atalaia do Norte, com matérias voltadas a defesa dos mais fracos e oprimidos.

Que o seu Espírito esteja em paz e prossiga em sua evolução, com o aconchego do nosso amor, sentimento que rompe qualquer fronteira. Assim, quando a saudade sua, Esther, parecer chegar ao seu limite, sufocando-nos, transformaremos o carinho que gostaríamos lhe transmitir em energias renovadoras. Se a face não pode ser mais tocada, o Espírito sempre poderá. Seguiremos a nossa jornada, conscientes de que Deus nos guia e nos faça descobrir que a morte não é o fim. Mas sim apenas um novo começo.

Manifestamos ainda nossa solidariedade e nossos sentimentos ao filho da Ester, o pequeno Victor de 08 anos, com a esperança de que a vida possa lhe dar forças suficientes para superar essa inestimável perda, assim como aos familiares e amigos de Esther.

A DIRETORIA E A EQUIPE DA SECOYA

 
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