Os desafios na construção de uma escola Yanomami endógena

Há 28 anos a Associação Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami – Secoya vêm construindo e desenvolvendo junto ao Povo Yanomami no estado do Amazonas, nos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e de Barcelos, médio rio Negro, um trabalho nos campos da saúde, educação e defesa dos direitos indígenas. Esse trabalho desenvolvido em parceria com os Yanomami tem como base a interculturalidade, reconhecendo-se que o contato com o napë trouxe muitos elementos oriundos da sociedade brasileira e interferências ao mundo Yanomami. Contudo, a cultura tradicional e a identidade Yanomami permanecem vivas nesse encontro, que representa novos desafios e a necessidade de buscar novos mecanismos de defesa, de luta, de diálogo e de conciliação. Isto significa ainda a assimilação de novos conhecimentos associados à valorização dos sabres tradicionais Yanomami e contribuindo para a autonomia desse povo no seu território

tradicional onde se manifestam a sua realidade sociocultural, política e mesmo cosmológica.


A Secoya inicia sua atuação com o Povo Yanomami no rio Marauiá, Terra Indígena Yanomami – T.I.Y., em Santa Isabel do Rio Negro no ano de 1991, contudo é apenas no ano de 1992 que começa suas atividades no campo da educação, tendo em vista desenvolver uma escola diferenciada, focando no ensino bilíngue e intercultural, baseada na legislação brasileira em vigor e na concepção que “a escola é o xapono e o xapono é a escola”. Sua visão de construção das escolas visava ampliar e fortalecer o processo de alfabetização na língua Yanomami, a formação dos professores Yanomami e o reconhecimento das escolas Yanomami pelo sistema oficial de educação escolar indígena do estado.


A motivação da Secoya no campo da Educação parte da percepção da necessidade de conquista da garantia do direito à educação, partindo dos seguintes pressupostos: A educação escolar é um fator estratégico no empoderamento Yanomami na tentativa de reduzir o impacto da assimetria de poder na interação intercultural inevitável; a ausência de alternativas de uma educação apropriada para este povo, de ainda relativo recente contato com o ‘mundo napë’ e; a disposição de fazer uso e lutar para o desenvolvimento de um modelo baseado no direito conquistado à autonomia e constitucionalmente assegurado.


A Secoya possui um Departamento de Educação Diferenciada em que atua diretamente na formação dos professores e no acompanhamento das escolas e aprendizagem dos estudantes. É importante frisar que a instituição “Escola” não existe na cultura Yanomami e eles têm seus próprios mecanismos de ensino e aprendizagem. O que a princípio pode ser considerado como algo negativo – a necessidade de introduzir um elemento exógeno - “a escola dos napë” - nas aldeias Yanomami, se justifica pela demanda expressa no sentido de “precisar aprender e se relacionar com as coisas novas dos napë” e representa quase que um mal necessário frente à atual dinâmica dessa relação.


Para se defender, faz-se necessário o conhecimento dos códigos de uma cultura (no caso, dos napë) para poder se comunicar sem se tornar vítima. Dessa forma, mesmo sendo a motivação propulsora negativa, ela oferece a possibilidade de apropriação da língua portuguesa e da matemática, e de novos conhecimentos dessa sociedade dominante que os circunde. O sentido da escola (também da diferenciada) é ajudar na leitura/ decodificação do mundo para definir a forma pela qual as relações devem se dar.


O formato da educação preconizada bilíngue, intercultural e diferenciada, implantada de modo participante é voltada para “trabalhar a tomada de consciência do ser sujeito no mundo”. Isto significa empoderar os Yanomami no novo contexto intercultural em que esse modelo de educação escolar diferenciada está implantado tendo como enfoque o debate sobre a “função social” da escola.


Hoje a maior discussão perante a sociedade Yanomami é a construção da sua própria escola, uma escola feita pelos e para os Yanomami, com a construção de sua Matriz Curricular própria, respeitando o universo Yanomami e introduzindo ensinamentos dos napë, atendendo as legislações vigentes às escolas indígenas e fazer parte do processo escolar por inteiro, não apenas enquanto sala de aula com seus professores.


Neste documento, traremos uma reflexão sobre como estão às escolas Yanomami que a Secoya acompanha ao longo desse processo, os novos anseios enquanto escola Yanomami Endógena e o seu papel na construção do futuro do povo Yanomami do médio rio Negro.


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Educação Escolar Diferenciada
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