Ministério exonera coordenador da saúde Yanomami e nomeia ex-vereador para o cargo

Novo coordenador é o ex-vereador de Mucajaí Ramsés Almeida da Silva. Ele assume no lugar de Rômulo Pinheiro.


Publicado em G1

Crédito: Reprodução/Instagram/Ramsesalmeidarr

O Ministério da Saúde exonerou nesta segunda-feira (17) o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y), Rômulo Pinheiro, e nomeou para o cargo o ex-vereador de Mucajaí, Ramsés Almeida da Silva, que é filiado ao partido Republicanos.


A demissão de Rômulo, conforme portaria assinada pelo ministro Marcelo Queiroga, ocorreu a pedido dele. Embora tenha tido uma gestão marcada por denúncias na Saúde Yanomami, Rômulo disse ao que não deixou o cargo pressão.


O pedido para deixar o principal cargo em Roraima -- de onde são tomadas todas as decisões relacionadas à saúde do povo Yanomami, foi entregue ao Secretário Especial de Saúde Indígena, Robson Santos, no último dia 11 de janeiro. No requerimento, ele também agradeceu aos colaboradores do Dsei-Y.


Quem assume o cargo no lugar de Rômulo é o ex-vereador Ramsés Almeida da Silva. A nomeação dele foi publicada na edição desta segunda (17) do Diário Oficial da União, junto com a exoneração do antecessor.

O g1 procurou o Ministério para saber qual o perfil do novo coordenador e aguarda o retorno.


Nas redes sociais, Ramsés publicou um vídeo ao lado de Robson Santos agradeceu a confirnça do órgão. "Darei o meu melhor e farei o que estiver ao meu alcance pra promover e proteger a saúde dos povos indígenas", disse.


Gestão polêmica de Rômulo Pinheiro


Ao deixar o cargo, Rômulo disse ter feito "muito para a melhoria" da Saúde Yanomami. A gestão, dele , no entanto foi marcada por dezenas de denúncias da falta de assistência dentro da Terra Yanomami, a a maior do Brasil. Entre elas está a reportagem do Fantástico e g1, que revelou a grave situação de desnutrição e malária entre crianças que vivem nas comunidades.


"Ficamos um ano e seis meses a frente do Dsei-Y, contribuímos muito para a melhoria, aquisições de medicamentos e equipamentos médicos, microscópios, aquisições de barcos, nova frota de veículos, contrato regular de horas voo, incremento na força de trabalho, perfurações de poços artesianos, dentro de muitas outras coisas, e principalmente, trouxemos as associações indígenas para dentro do distrito para que juntos pudéssemos atingir nossas metas", disse Rômulo.


Rômulo foi nomeado para a função em julho de 2020. Durante a gestão dele, houve denúncia de que servidores do Dsei-Yanomami desviaram vacinas que seriam para indígenas em troca de ouro. À época, ele disse que nenhum servidor havia sido afastado das funções.


Houve ainda relatos de crianças que morreram dentro da reserva, segundo o Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY), por falta de socorro. Mortes de crianças em regiões onde postos estavam fechados.


O Condisi-YY chegou a pedir a exoneração de Rômulo. Mas, à época, ele firmou que o pedido era sem fundamento e que o presidente do Conselho não representava "a maioria dos Yanomami, e o documento só tem uma assinatura".


Além disso, em novembro, a empresa Voare Táxi Aéreo, suspendeu os voos prestados para a Terra Yanomami devido a falta de pagamento do Dsei-Y. Depois de seis dias de suspensão, os voos da saúde foram retomados.

A suspensão dos voos afetou mais de 15 mil indígenas de cerca de 19 regiões, de acordo com o presidente do Condisi-Y, Júnior Hekurari Yanomami.


No dia 15 de novembro do ano passado, o Ministério da Público Federal em Roraima (MPF-RR) recomendou, que o Mistério da Saúde fizesse um plano de reestruturação da assistência básica para reverter o cenário na saúde Yanomami.


O pedido ocorreu após o Fantástico exibir, com exclusividade, imagens de crianças Yanomami doentes, desnutridas e sem atendimento médico em comunidades abandonas pelo poder público no meio da floresta amazônica. A reportagem passou duas semanas dentro da Terra Yanomami, a maior reserva indígena do Brasil.

Ainda em novembro, indígenas da comunidade Yaritopi construiram por conta própria um posto de saúde para abrigar as equipes de saúde.


De acordo com o presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami, os indígenas decidiram fazê-lo por que o Distrito Sanitário Yanomami (Dsei-Y) informou que não tinha como enviar equipes para a comunidade por não ter lugar para eles ficarem.


Neste ano, o MPF recomendou a exumação dos corpos de indígenas vítimas da Covid-19, enterrados em cemitérios de Boa Vista, além do translado às comunidades de origem para a realização dos rituais fúnebres conforme cada cultura.


Terra Indígena Yanomami


Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas, e parte da Venezuela. Cerca de 28 mil indígenas vivem na região em mais de 360 comunidades.


A área é alvo do garimpo ilegal de ouro desde a década de 1980. Mas, nos últimos anos, essa busca pelo minério se intensificou, causando além de conflitos armados, a degradação da floresta e ameaça a saúde dos indígenas.


A invasão garimpeira causa a contaminação dos rios e degradação da floresta, o que reflete na saúde dos Yanomami, principalmente crianças, que enfrentam a desnutrição por conta do escasseamento dos alimentos.

O número de casos de Covid entre indígenas que habitam a região, aumentou em razão da presença de garimpeiros. No ano passado, em apenas três meses, as infecções avançaram 250%.


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