Novo Regime Climático: já vivemos mudanças no planeta que podem ser irreversíveis.

Publicado em Instituto Humanitas Unisinos


6º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC

Webinar promovido pela Fapesp discutiu 6º Relatório de Avaliação do IPCC apresentado nesta segunda que confirma o protagonismo das ações humanas no desequilíbrio climático na Terra


Carlos Rennó compôs uma música, a pedido de uma série de organizações que chamam atenção para a crise climática que temos vivido, que questiona: “para onde vamos? Ah, onde vamos parar?". A letra segue falando de uma encruzilhada na qual nos encontramos, que nos faz pensar urgentemente que ou transformamos nossos hábitos de consumo e relação com o planeta ou vamos comprometer nossa própria existência por aqui. As respostas para essas duas perguntas que abrem a canção não são nada boas, segundo o 6º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, divulgado na manhã da última segunda-feira, 09-08-2021.


Dos dados alarmantes que o documento traz, chama atenção a conclusão de que os seres humanos provavelmente causaram a quase totalidade do aquecimento global observado no último século. Ou seja, vai à lona qualquer possibilidade de que estejamos vivendo um ciclo natural de aquecimento do planeta. “Temos trabalhado com dados de observações de cientistas. Não são projeções, são observações concretas. Não temos como chegar a esses números se desconsiderarmos a ação humana”, dispara Thelma Krug, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e vice-presidente do IPCC. “A escala temporal em que se observa o aquecimento natural da Terra é de milhões e milhões de anos e nunca menos de 100 anos como temos observado agora”, completa Paulo Artaxo, do Programa Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais, autor-líder do capítulo 6 do relatório divulgado ontem.

Ambos, juntamente com Jean Ometto, da coordenação do Programa Fapesp de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais, Lincoln Alves, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE e autor-líder do novo Atlas de Mudanças Climáticas, e o jornalista Herton Escobar, da Universidade de São Paulo – USP participaram de um debate promovido pela Fapesp que buscou aprofundar algumas perspectivas do Relatório e analisar os impactos no cenário brasileiro. Nesse resumo dos principais pontos, Artaxo apresenta dados de cenários que revelam que mesmo se mantivermos a meta de não elevar a temperatura global para além de 1.5 grau celsius, marca determinada pelo Acordo de Paris, já haverá pontos em que não se poderá reverter danos do aquecimento global. “Se houver, por exemplo, o derretimento de área de gelo da Groenlândia, convertendo isso em elevação no nível do mar, mesmo que consigamos atingir a meta, não será possível recongelar o que já se perdeu. Além disso, há uma grande perda de biodiversidade, pois numa floresta em que a temperatura aumenta demais, muitas formas de vida são impactadas e podem desaparecer”, explica.

O cenário é mesmo alarmante. Para se ter ideia, dos cinco cenários de emissão avaliados, apenas um nos dá alguma chance de manter viva a meta do Acordo de Paris de estabilizar o aquecimento em 1.5 grau. E, mesmo assim, ainda vamos sofrer com algumas décadas de temperaturas acima do limite a partir dos anos 2030. “Precisamos compreender que o aumento de 1.5 grau é uma temperatura média do globo, o que significa que em determinadas regiões da terra a temperatura pode chegar a 2 ou 3 graus, potencializando os impactos locais desse aquecimento”, completa Lincoln.

Confira um resumo dos principais pontos do Relatório do IPCC elaborado pelo Observatório do Clima

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