Secoya apoia pedido de providências contra coordenador da Funai por postura anti-indígena

Entidades e organizações indígenas e indigenistas vêm cobrando a Fundação Nacional do Índio (Funai), por meio de notas e mobilização, a demissão e a punição do coordenador do órgão no Vale do Javari (AM), Henry Charlles Lima da Silva, por conta da afirmação em que sugere “meter fogo” em indígenas isolados do Amazonas, gravada durante uma reunião com servidores e lideranças, ocorrida em junho.


Embora tenha emitido nota explicando que “a fala do funcionário não representa a posição oficial da instituição", a Funai ainda mantém o coordenador, que é tenente da reserva do Exército, no cargo. O áudio foi divulgado pela Folha de S.Paulo no dia 22 de julho.


A Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas(FAMDDI), coletivo que reúne várias entidades de organização da sociedade civil, emitiu nota de repúdio e exigindo as medidas cabíveis, uma vez que a manutenção de Henry Charlles Lima da Silva como responsável pelo diálogo com os indígenas na região está comprometida pela postura publicamente manifesta anti-indígena.


A reunião tratava de um conflito entre os marubos e indígenas isolados que vivem na região do rio Ituí. Eles teriam raptado uma mulher do povo marubo dias em 2020 e repetido o ato dias antes do encontro entre lideranças e o tenente Lima da Silva. A postura do tenente mostra despreparo para a função, segunda a nota. Confira:


NOTA DE REPÚDIO


À PERSEGUIÇÃO E CRIMINALIZAÇÃO DE LIDERANÇAS INDÍGENAS PELO PRESIDENTE DA FUNAI



A Frente Amazônica de Mobilização em Defesados Direitos Indígenas(FAMDDI) repudia veementemente a atitude anti-indígena, criminosa e anti ética do Coordenador Regional da Funai, o tenente da reserva do exército Henry Charlles Lima da Silva, que incentivou o uso de arma de fogo contra indígenas isolados na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, Amazonas.


Áudio das declarações absurdas foram divulgados pela imprensa nacional no dia 22 de julho. As afirmações ocorrem no dia 23 de junho, durante reunião com indígenas do povo Marubo, na aldeia Paulinho, localizada no rio Ituí, dentro da TI Vale do Javari. Na ocasião, o tenente da reserva Henry Charlles Lima da Silva estimulou representantes dos Marubo a usar de violência explicítia contra um grupo indígena isolado como solução para dirimir um conflito.


A prática covarde e autoritária não se trata meramente de despreparo ou posição individual ideológica, mas corrobora com o projeto político de extermínio dos povos originário e de incentivo à violência mútua, dada a organização e mobilização do movimento indígena em resistência ao governo Bolsonaro.


O presidente mantém postura clara, desde o início de seu mandato, de que a intimidação e criminalização dos povos indígenas são estratégias para fazer com que os interesses economicos exploratõrios da Amazônia prevaleçam sobre o sangue indígena e a destruição deste rico ecossistema.


Deste modo, solicitamos as sanções e punições cabíveis a essa prática abjeta.



Manaus, 27 de julho de 2021.


FAMDDI:

Fórumde Educação e Saúde Indígenado Amazonas - FOREEIA


Associação dos Docentes da Universidade Federaldo Amazonas - ADUA

Serviço Amazônico de Ação,Reflexão e Educação- SARES


Conselho Indigenista Missionário - CIMI N1 Serviço de Cooperação Yanomami- SECOYA

Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro - AMARN

Federação Indígena do Povo Kukami-Kukamira do Brail, Peru e Colômbia - TWK MANDATOPOPULAR DO DEPUTADO FEDERAL ZÉ RICARDO

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