Conheça os apps que contribuem para a conservação da Amazônia

Publicado por InfoAmazônia


Desenvolvidos por ONGs que atuam na região, com apoio de comunidades locais, aplicativos permitem desde denúncias de queimadas à identificação de desmatamento e secas.


Cada vez mais presentes nas mãos de populações no interior da floresta, celulares se transformaram em ferramentas para proteger a Amazônia da sanha das motosserras e do fogo. Com a vantagem que agricultores, indígenas e outras populações rurais e tradicionais são as protagonistas na identificação dessas ameaças à preservação de ambientes e de culturas. A tecnologia reforçou o papel de suas populações como protetoras da floresta, algo que beneficia todos os brasileiros que dependem do equilíbrio ecológico e climático, geração de energia, insumos para variadas indústrias e manutenção de culturas.


Desenvolvidos sobretudo por ONGs e com apoio de indígenas e outros povos, os aplicativos para celular são aliados nos esforços contra a eliminação indiscriminada da floresta e de suas populações. Para driblar a falta de acesso à internet em áreas remotas, os programas permitem acesso e registros offline, até que uma conexão seja obtida, por exemplo, na cidade mais próxima. Alguns ainda estão em fase de testes e consolidação, mas representam uma tendência que deve vir para ficar.


“Os diferentes aplicativos têm funções complementares e funcionam num vasto território que é a Amazônia. Os desafios para seu uso envolvem também a capacitação e o engajamento das comunidades. É importante que as ferramentas possam intercambiar informações e somar forças pela conservação da floresta e das culturas indígenas e tradicionais” Vinicius Guidotti de Faria, coordenador de Geoprocessamento do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora)


Terra on Track

Desenvolvido pelo Imaflora, com apoio das comunidades locais, app informa sobre dados de desmatamento e permite que usuário alimente o sistema com imagens sobre foto e derrubadas. Crédito: Imaflora/Divulgação


Desenvolvido a partir de experiências no norte do Pará, que abriga parques nacionais, terras indígenas e outras áreas protegidas, formando um grande bloco mais conservado em relação ao restante do estado, o aplicativo começou a ser usado pela comunidade local dos municípios de Alenquer, no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Paraíso, e no sul do estado em São Félix do Xingu, nas comunidades de Maguary e Tancredo Neves. Seus usuários podem conferir alertas de desmatamento e degradação da floresta em tempo real e ainda alimentar o sistema com novos dados, coordenadas e fotos sobre derrubadas e queimadas. Depois dessa primeira fase de uso nessas regiões, o aplicativo deve chegar a outros pontos do estado. Ele foi desenvolvido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e pelo SERVIR-Amazonia, iniciativa conectada à Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa) e à Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.


O que faz: monitora ameaças potenciais aos territórios e povos indígenas

Lançamento: setembro de 2021

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AmazoniAlerta

Feito por um neurocientista, app permite denúncia anônimas de queimadas na mata. Crédito: AmazoniAlerta/Divulgação


Testemunhas de agressões como desmates e queimadas, indígenas ganharam um reforço para denunciar ataques à Amazônia com o aplicativo. A plataforma foi desenvolvida em oficinas com os nativos e o neurocientista Eduardo Schenberg. As denúncias enviadas pelo programa são criptografadas e armazenadas por meio de blockchain, tecnologias modernas que garantem anonimato a seus autores e segurança aos dados. As informações coletadas apoiam ações judiciais, reportagens e outras ações para proteger terras e direitos dos indígenas na Amazônia e em outras regiões. A ideia recebeu um Prêmio Transformadores, da revista Trip. O que faz: recebe e armazena denúncias anônimas de ataques à floresta e a indígenas Lançamento: abril de 2021 Onde baixar


Cô da Coiab ajuda as comunidades a identificar e controlar o fogo nas 79 TIs da Amazônia com povos com isolamento voluntário. Crédito: Coiab/Divulgação


A ferramenta desenvolvida pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) é parte do “Plano de Ação Emergencial de Combate às Queimadas ilegais em Terras Indígenas da Amazônia Brasileira”, que reforçou ações para conter o fogo criminoso, diferente daquele usado em práticas tradicionais associados à caça, ao preparo de roçados, à coleta de mel, à limpeza de trilhas e até para a comunicação. O aplicativo – cujo nome significa “água” na língua do povo Timbira – ajuda as comunidades a identificar, controlar e denunciar incêndios criminosos exibindo mapas diários de queimadas para 79 terras indígenas da Amazônia brasileira que têm registros de povos em isolamento voluntário e de brigadas indígenas formadas com apoio do Prevfogo/Ibama. O fogo pode ser provocado por garimpo, desmatamento, extração de madeira, caça e outros ilícitos. A tecnologia foi desenvolvida pela Coiab com apoio da coalizão Land is Life. O que faz: monitora fogo criminoso em terras indígenas Lançamento: julho de 2020 Onde baixar


Alerta Clima Indígena

Ipam desenvolveu o aplicativo para monitorar os efeitos das mudanças climáticas. Crédito: Ipam/Divulgação

A crise global do clima ameaça também populações abrigadas na Amazônia. Atento a essa realidade, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) desenvolveu o aplicativo que monitora focos de calor, desmatamento e risco de seca em terras indígenas na floresta tropical brasileira. Também é possível enviar alertas sobre ameaças identificadas. Vencedor de um prêmio Desafio de Impacto Social Google, o programa integra o Sistema de Observação e Monitoramento da Amazônia Indígena, plataforma que monitora e informa dados sobre cobertura florestal, impactos socioambientais e outras informações das mais de 380 terras indígenas da Amazônia.


O que faz: monitora focos de calor, desmatamento e risco de seca em terras indígenas na Amazônia Lançamento: agosto de 2018 Onde baixar


Matéria do InfoAmazonia para o projeto PlenaMata.

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