MPF apura denúncia sobre morte de crianças Yanomami 'sugadas' em rio por draga de garimpo

Publicado em G1 |


Acidente aconteceu em 12 de outubro, na comunidade Makuxi Yano, em Alto Alegre. Meninos brincavam na beira do rio, quando foram "puxados" na água por uma draga de garimpo e levados pela correnteza, segundo lideranças indígenas.

Foto: Divulgação/Condisi-YY


O Ministério Público Federal abriu investigação para apurar a denúncia sobre a morte de duas crianças indígenas, na Comunidade Makuxi-Yano, na Terra Yanomami, região de Alto Alegre, em Roraima. Os meninos, de 4 e 5 anos, teriam sido sugados para o meio do rio Parima por uma draga, maquinário usado no garimpo, segundo lideranças indígenas.


O acidente aconteceu no último dia 12, no momento em que as crianças brincavam na beira do rio e acabaram sendo levados pela correnteza da água. O corpo do mais velho foi encontrado pelos indígenas no dia 13.


O segundo menino foi localizado por uma equipe de mergulhadores do Corpo de Bombeiros no dia 14. A criança estava de bruços no rio, em meio a galhos de árvores e suja de lama. Veja o trabalho de resgate abaixo.

Conforme o MPF, serão investigadas a eventual responsabilidade de invasores da terra indígena e a possível omissão dos órgãos responsáveis pela proteção das comunidades em questão.


Um pedido de providências foi enviado ao MPF e à Polícia Federal (PF) pelo Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY), no domingo (17). No ofício, o presidente do órgão, Júnior Hekurari Yanomami, classificou a morte das crianças como uma tragédia "indisfarçável e desprezível" e afirma que o Estado Brasileiro tem sido "omisso" na proteção dos indígenas.


O g1 pediu posicionamento da PF sobre o documento do Condisi-YY e aguarda retorno.


"Este episódio trágico e extremo se soma a muitos outros nos mais diferentes contextos, e conforme expressamente apontado em diversos ofícios encaminhados por este Conselho, mostrou-se que a provocação destas instituições não se converteu em medidas efetivas para sequer minimizar o problema ora enfrentado", critica Hekurari no ofício.


Ainda de acordo com o MPF, o órgão possui ações judiciais em andamento exigindo proteção territorial aos Yanomami e apurações sobre violações de direitos desse povo indígena.


O órgão também afirma que tem alertado o governo federal sobre as consequências do avanço do garimpo ilegal para a população indígena e advertido sobre a responsabilização das autoridades que se omitirem em agir.


Terra Indígena Yanomami


Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas, e parte da Venezuela. Cerca de 27 mil indígenas vivem na região em mais de 360 comunidades.


A área é alvo do garimpo ilegal de ouro desde a década de 1980. Mas, nos últimos anos, essa busca pelo minério se intensificou, causando além de conflitos armados, a degradação da floresta e ameaça a saúde dos indígenas.


Em junho, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o governo federal adotasse medidas para proteger o povo Yanomami e Munduruku, no Pará.


A invasão garimpeira causa a contaminação dos rios e degradação da floresta, o que reflete na saúde dos Yanomami, principalmente crianças, que enfrentam a desnutrição por conta do escasseamento dos alimentos.

O número de casos de Covid entre indígenas que habitam a região, aumentou em razão da presença de garimpeiros. No ano passado, em apenas três meses, as infecções avançaram 250%.

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