O POVO YANOMAMI

O povo Yanomami possui, no Brasil, um território de aproximadamente 9.260.000 ha, sendo que o mesmo está situado em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela (interflúvio Amazonas-Orinoco). No Brasil ocupam as áreas dos afluentes da margem direita do rio Branco e esquerda do rio Negro.


Os Yanomami representam uma pequena família linguística composta por 04 línguas próximas que não pertencem a nenhum tronco linguístico indígena da América do Sul, sendo considerada totalmente isolada. As quatro línguas são (referência linguística de Henri Ramirez): Língua Sanoma (Roraima Ocidental); Língua Yanomami (Yanomami / Oriental e Xamatari / Ocidental); Língua Ninan (Mucajaí); Língua Yanomae (Ajarani).

modo de vida

As aldeias se constituem por uma maloca plurifamiliar, chamadas de xaponos, ou várias casas e mantêm, entre si, níveis de comunicação, onde se desenvolvem relações econômicas, matrimoniais e rituais. As áreas centrais das casas são o espaço para festas e rituais.

As decisões sobre a comunidade são tomadas em consenso após debates onde todos possuem o direito à palavra. Não há um chefe e cada comunidade é independente para tomar as decisões.


Os Yanomami se caracterizam tradicionalmente pelo semi-nomadismo, são caçadores e coletores de produtos da floresta, mas praticam também a agricultura de subsistência (principalmente de banana, macaxeira, milho) e a pesca. Tradicionalmente, o tempo médio de permanência num mesmo xapono (aldeia circular), é de 5 a 6 anos, período depois do qual os recursos começam a se exaurir, motivando-os a buscar nova área de moradia, como parte da estratégia de mobilidade territorial remontada de forma milenar.

DIVISÃO DO TRABALHO

É possível observar no xapono que as mulheres cuidam de práticas quotidianas tais como cortar a lenha, coletar frutas na floresta, preparar a farinha, confeccionar as cestarias e outros objetos da cultural material Yanomami, cuidar dos afazeres domésticos bem como das crianças.

 

Os homens se encarregam das atividades ligadas a subsistência, através da caça e pesca, defesa do grupo, fazem a derrubada da mata e a preparação do terreno para o plantio, cuidam da construção das casas, confeccionam suas armas tais como arcos e flechas, artefatos e indumentos cerimoniais, entre outros. O trabalho na roça é feito pela família como um todo, e no retorno para o xapono, normalmente a mulher é responsável por carregar o que se foi coletado enquanto os homens cuidam da segurança do caminho.

ameaças externas

ameaças da política governamental

Diversos fatores vem ameaçado os povos indígenas brasileiros. A degradação nos últimos 10 anos das conjunturas políticas implantadas pelo governo colocam em risco os direitos indígenas.

 

Cada vez mais a participação civil e dos representantes indígenas perde força frente a um contexto de imposição verticalizada das políticas de estado. O subsistema de saúde indígena não atende às necessidades preventivas da população indígena, oferecendo um serviço curativo que não dialoga com a saúde tradicional. As escolas públicas ainda estão despreparadas para receberem alunos indígenas.

RELIGIÃO E cerimônias

Os Yanomami levam em média quatro horas de trabalho para satisfazer todas suas necessidades materiais. O tempo restante é dedicado para atividades sociais e de lazer como visitas a outras comunidades, celebrações de colheitas e funerais.

Os mesmos possuem vasto conhecimento da geografia do local, da biologia, botânica, dos ciclos da natureza, da fauna e da flora, das montanhas, dos rios, os peixes. Têm amplos conhecimentos sobre saúde, identificam doenças através dos sintomas apresentados e processam a cura através do domínio de práticas espirituais, capazes de afastar os males que atingem o bem-estar individual e rompem o equilíbrio social do grupo. São detentores de uma riquíssima cosmovisão, saberes tradicionais e histórias de origem do povo que explicam a origem do mundo e das sociedades que são passados de geração em geração e dos acontecimentos mais recentes após o advento do contato.

Tel.: (92) 3646-2775

e-mail:  secoya.org@gmail.com

Rua Rui Barbosa, 12 - Santa Inês

Santa Isabel do Rio Negro - AM

  • Facebook Secoya
  • Youtube Secoya